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Festa de Santo Estêvão e Encamisada de Rebordelo

Datas
25 a 26 Dezembro 2017
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Slideshow
  • Rebordelo 1 1024 2500
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A festa realizada nesta localidade era conhecida por “festa dos caretos” ou “festa das varas” (PESSANHA, 1960:46).
A sua a organização cabia a um mordomo, que geralmente executava este cargo por querer pagar uma promessa. Era o mordomo quem escolhia os quatro moços e os rapazes das varas.
Actualmente, são quatro mordomos, que organizam a festa. São também designados por “Reis”. No entanto, há um mordomo, ou seja, um “Rei” que se diz como sendo o principal, já que na sua vara está presente a letra r.

Dia 25 de Dezembro:
Neste dia ocorrem duas rondas: a de alvorada, que se dá de madrugada, e na qual os quatro mordomos, acompanhados pelo som dos gaiteiros, anunciam o começo da festa.
Os moços, o caçador e dois ou três “caretos” deslocavam-se até Vale de Armeiro, onde arranjavam uma mesa, hábito que não se mantém hoje.
Mais tarde é feita uma ronda que visa desejar as Boas Festas e angariar fundos para a ajuda da organização da festa (peditório). A fim de alertar os habitantes locais para esta ronda, os mordomos fazem-se acompanhar de um caçador que vai disparando tiros. Aliás, esta ronda de saudação que se funde com o peditório dura todo o dia, sendo apenas interrompida durante a realização da missa, à qual os mordomos não podem faltar, e durante o almoço que se efectua em casa dos mesmos – neste almoç encontram-se presentes todas as figuras que encimaram a festa até então, os mordomos, o caçador, o gaiteiro e o padre local que realizou a missa.
À noite ocorre a encamisada, ritual em que todos os habitantes se vestem a rigor e participam.

Dia 26 de Dezembro:
De madrugada ocorre a alvorada, dada pelo gaiteiro, à qual se segue a missa em honra a Santo Estêvão.
Segue-se um almoço em casa do mordomo, no qual só participam todos aqueles que estão directamente ligados à organização da festa, bem como aqueles que estão presentes nas rondas (exemplo do gaiteiro e do caçador).
Depois do almoço, no largo da Igreja onde se encontra a Mesa de Santo Estêvão, faz-se a transmissão do poder. O “Rei” que exerceu funções no ano presente entrega a vara ao novo mordomo. Outrora era logo após este acto tão importante que o novo mordomo fazia uma festa desejando “as boas-festas de Santo Estêvão” (PEREIRA, 1973:98). Actualmente esta só se faz após a actuação dos mascarados (estes desaparecem durante a ronda que dá a conhecer e aclama o novo mordomo) e o “baile dos velhos”, no qual todos participam dançando e continuando os mascarados a sua coreografia característica.
De noite realizava-se a "galhofa". Presentemente faz-se uma nova encamisada, seguida de um baile comunitário, no qual os enchidos regionais não podem faltar.

"Caretos"
O seu fato, que é bastante colorido, é feito de colchas de lã, tem um capuz e nele são pendurados chocalhos.
As calças eram “feitas de dois tecidos” (PESSANHA, 1960:47).
A sua máscara é feita de pele de porco. Antigamente era feita de sola e pintada.

Fontes e Bibliografia:
PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.
PEREIRA, Benjamim [coord.], 2006, Rituais de Inverno com Máscaras, Bragança, Instituto Português de Museus.
TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa, Ésquilo.

Fotografias: Roberto Afonso

Morada

Rebordelo, Vinhais

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