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Os Moinhos de Água

Moinhos e azenhas são dois termos que designam engenhos hidráulicos, respetivamente de roda horizontal e de roda vertical, que se sabe terem sido introduzidos em diferentes versões, não completamente discerníveis, pelos romanos e pelos árabes. Uns e outros proliferam em todas as áreas montanhosas sulcadas por linhas de água de regime torrencial, podendo adiantar-se que, ainda em 1965, só nas Beiras, Alto Douro e Trás-os-Montes se registavam oito mil. 

Destes engenhos salientam-se particularmente os de roda horizontal, bem adaptados ao regime torrencial dos ribeiros de montanha, que quase secam no estio. Por isso mesmo, a sua atividade anual se reduzia a pouco mais que os meses de inverno. Eram estes moinhos os mais correntes na TFT e utilizados na moagem do cereal (centeio, trigo e milho), havendo outros, semelhantes mas muito mais raros, usados na fiação do linho e na serração de madeira. Estes moinhos de roda horizontal são de rodízio, com penas, não ocorrendo nesta região os de sistema de turbina por rodízio submerso. O edifício, de pequena dimensão, não ultrapassando 5 x 7 metros, é constituído por paredes muito resistentes em alvenaria de xisto ou granito, conforme a natureza geológica do local e com cobertura de duas águas geralmente em lajetas de lousa ou com tosco telhado. Localiza-se nas margens ou pelo menos na proximidade das linhas de água de forte caudal, onde é possível criar um açude, que alimenta uma levada que o vai acionar. O engenho motor, o rodízio, é uma roda horizontal (cabaço) com cerca de dois metros de diâmetro, que tem inserida uma numerosa série (geralmente vinte) de palas côncavas (penas) centrada num eixo vertical (pela ou árvore). A água da levada, repuxada em jato por um orifício do cubo, é dirigida contra as penas fazendo rodar o rodízio e a pela, que está solidária com a mó e lhe transmite o movimento.

Os moinhos de roda vertical ou azenhas, muito mais raros na TFT, são constituídos por uma grande roda vertical de duplo aro lateral, enquadrando pelas que são propulsionadas pela corrente da levada, fazendo-a girar e transmitindo esse movimento às mós. A disposição no interior do edifício reserva o sobrado à moagem propriamente dita, sendo o exíguo espaço quase todo ocupado pelas mós ou pedras (pouso e andadeira), pela tremoia e a sua sustentação, onde se acumula o grão, pelo aliviadouro, que comanda a engrenagem do rodízio e pelo pejadouro, que controla a saída da água do cubo (ou canal). O nível subjacente ao sobrado, geralmente conhecido por cabouco, inferno ou aguadouro, insere todo o mecanismo do rodízio e conduz a água.

Não vão muitos anos que se viam ainda na TFT bastantes moinhos em plena atividade. A maioria deles eram designados “Moinhos do Povo” e pertenciam à população de cada uma das aldeias, sendo geridos e mantidos pela comunidade local e utilizados à vez de acordo com o regulamento aprovado pelo Concelho do Povo. Cada aldeia, conforme a sua dimensão e produção, tinha um, dois ou três moinhos junto às ribeiras mais próximas quando o seu regime hídrico se ajustava convenientemente.

Na TFT a maioria dos moinhos de água localizam-se na rede de afluentes e subafluentes do Sabor e do Tuela, com maior concentração a norte da cidade de Bragança. No sul desta região são praticamente inexistentes, registando-se alguns perto de Izeda, na Ribeira de Vilalva.