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Castelo de Miranda do Douro

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O Castelo de Miranda do Douro foi edificado no reinado de D. Dinis. Os primeiros monarcas haviam dotado esta vasta região de unidades administrativas tuteladas por castelos românicos, denominadas “Terras”, que tinham por missão reforçar a autoridade régia numa zona do reino que era notoriamente periférica. Com o passar do tempo, tal estrutura de poder veio a revelar-se inadequada e D. Afonso III iniciou uma política distinta, que teve na fundação de novas vilas urbanas a sua face mais visível. No território de Miranda do Douro, a nova vila foi fundada por D. Dinis em 1286, culminando desta forma a transferência de poder do antigo castelo de Algoso, cabeça-de-terra até então.

Apesar desta alteração, o novo modelo organizativo não dispensava a edificação de estruturas militares e D. Dinis terá mandado edificar um castelo na extremidade noroeste da vila, à qual se associava uma cerca urbana, de planta retangular irregular, destinada a proteger a população. A Monarquia Lusitana veiculou a ideia de que o processo construtivo da vila se iniciara em 1294 e concluíra escassos quatro anos depois, no entanto, a obra pode não ter sido finalizada ate ao termo deste reinado. Certo é que D. Dinis esteve em Miranda em 1297, pouco antes de assinar o Tratado de Alcanices e as obras já decorriam.

Escasseiam as informações relativas à fortaleza dionisina. Nos séculos posteriores foram introduzidas diversas alterações na estrutura e em Maio 1762, no decurso da invasão espanhola, uma violenta explosão desfigurou partes fundamentais da obra gótica. Ao que tudo indica, o castelo tinha a forma retangular e as suas muralhas ligavam "a formidável torre de menagem, situada num dos ângulos, a três outras torres mais baixas também em posição angular, duas delas quadrangulares e uma hexagonal".

Esta descrição indicia uma fortaleza tipicamente gótica, com portas e ângulos defendidos ativamente por altas torres que permitiam o tiro vertical sobre os pontos mais sensíveis. A porta principal, a que se associava uma das torres, era em forma de cotovelo, desenho igualmente característico da arquitetura militar do século XIV.

A vila de Miranda do Douro era muralhada e o seu traçado urbanístico revela uma planificação de raiz. Duas portas, voltadas a nascente e a poente e flanqueadas por duas torres quadrangulares formando um conjunto harmónico, permitiam o acesso à vila. Estas portas encontravam-se ligadas por uma rua direita que confluía, ao centro, numa praça, a atual Praça de D. João III. Esta artéria era atravessada por outras vias secundárias, formando uma trama ortogonal, da qual se destaca a atual Rua Mouzinho de Albuquerque, que ligava a praça central à porta que levava ao rio. Uma das particularidades da vila medieval consistia na existência de uma couraça (ainda desenhada por Duarte d'Armas nos inícios do século XVI), que protegia o acesso dos moradores ao rio. Esta estrutura foi desmantelada durante a época moderna.

ClassificaçãoImóvel de Interesse Público (IIP) - Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955; ZEP - Portaria publicada no DG, II Série, n.º 185, de 9-08-1957

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